Foto: Alberto Pais
Académico de Mogadouro
Clube queixa-se do insuficiente apoio da autarquia mas o presidente da Câmara sublinha que nem mais um cêntimo…
O
conflito está instalado em Mogadouro. O Clube Académico, equipa recém
promovida à primeira divisão de futsal, não se conforma com o valor
atribuído por parte do executivo. O município mogadourense vai apoiar
aquela colectividade com vinte e cinco mil euros, precisamente a mesma
quantia dada ao Mogadourense, equipa que milita no campeonato distrital
de futebol. Para os dirigentes academistas, este valor não satisfaz as
necessidades de um clube que vais ser ícone da região e que promete
atrair à vila transmontana, imensas pessoas vindas de todo o país.
Desistência foi ponderada
Maurício Colpas, presidente do Clube Académico de Mogadouro (CAM)
manifestou insatisfação face a esta questão. “Não consigo compreender
uma atitude destas. Como cidadão, não concordo com este tipo de gestão;
não concordo com esta distribuição sem fundamento. Eu não sou contra o
valor recebido pelo Mogadourense mas é uma distribuição sem fundamento
com os meus valores para uma equipa que está no distrital e para outra
que se encontra numa primeira divisão”, referiu o presidente da
colectividade. Para Maurício Colpas, Mogadouro só tem a ganhar com a
participação de um clube no maior patamar de uma modalidade em
crescendo na panorâmica nacional. “Nas notícias de Mogadouro só vemos
desgraças e temos, aqui, a possibilidade de levar o nome da vila além
distrito e dinamizar a terra a nível comercial com a movimentação na
restauração e hotelaria”, sublinhou.
Face a esta situação, a direcção chegou a equacionar a desistência da
prova mas não coloca de parte a cedência dos direitos desportivos do
clube a um particular. O presidente do clube critica a postura do
município e fala em visão redutora. “Nós estávamos a formar uma equipa
competitiva para lutar pelos Play-off, temos atletas contratados. Em
dezoito anos, o clube nunca teve que fechar por causa de falta de
apoios mas aos poucos verifica-se que há uma intenção de eliminar a
existência de dois clubes na terra e ficar só com um. Não há visão!”,
frisou Maurício Colpas.
Autarquia não cede
Após as reclamações dos dirigentes do clube, a Câmara Municipal de
Mogadouro mantém-se inflexível. O presidente António Machado afirmou
que o valor estipulado é de vinte e cinco mil euros e… nem mais um
cêntimo. O autarca afirmou que esta foi uma decisão tomada por
vereadores de vários partidos políticos e que o futsal não é a primeira
nem única preocupação do município. “O problema da câmara não é
financiar clubes da primeira divisão mas sim instituições, desporto,
idosos, etc. O Académico de Mogadouro pedia-nos cento e setenta e cinco
mil euros o que é totalmente fora da realidade. Pedir uma coisa desta é
uma falta de pudor quando há tantas carências”, afirmou o autarca.
Sobre o mesmo valor para as duas colectividades desportivas, António
Machado referiu que o Mogadourense joga com atletas da terra enquanto o
CAM jogou com dez jogadores brasileiros. Para o chefe do executivo, o
município tenta apoiar o desporto para as pessoas da terra e para
ocupar os seus tempos livres. “Um clube de primeira divisão também tem
que assumir os contratos, despesas e orçamentos”, frisou. António
Machado alertou, ainda, que há outras despesas à parte pagas pela
câmara tais como as deslocações. “Cada viagem de autocarro a Lisboa
fica, em combustível e desgaste, em duzentos contos fora as despesas
com os condutores”, revelou o autarca.
Fonte: mensageironoticias.pt
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